Quando a MOB analisou o que 699 pessoas disseram sobre si mesmas, antes de qualquer pergunta sobre produto ou marca, um tema apareceu num lugar que quase nenhum estudo de mercado prevê. Fé e espiritualidade surgiram como o quarto assunto que as pessoas mais dizem consumir e pesquisar, com 83 menções. À frente, apenas saúde, com 133, tecnologia, com 97, e política, com 76. Religião não apareceu como pergunta. Apareceu sozinha, quando as pessoas tiveram liberdade de contar o que de fato ocupa a cabeça delas.
Esse dado vem do Observatório MOB, um exercício de escuta que reúne o que as pessoas revelam sobre si nos formulários de recrutamento dos nossos projetos, antes de o estudo começar. É a camada anterior à pesquisa: quem a pessoa é antes de virar consumidora de qualquer categoria ou assunto.
Não é crença, é consumo
O ponto mais revelador não é que o brasileiro tenha fé. Isso a gente já sabia. O revelador é que as pessoas tratam a fé como conteúdo que consomem ativamente, do mesmo jeito que consomem tecnologia, entretenimento ou notícia.
Elas acompanham canais, seguem líderes espirituais, assistem a vídeos, pesquisam temas, participam de comunidades. A espiritualidade divide a rotina de consumo de conteúdo com influenciadores de estilo de vida e criadores de tecnologia. Não é uma prática reservada a um dia da semana. É uma frequência ligada o tempo todo, que informa escolhas, molda linguagem e cria pertencimento e assunto.
O que mais surpreende: a horizontalidade
Se fosse um fenômeno de um grupo só, seria menos interessante. Mas não é. A presença da fé como tema de consumo atravessa a amostra inteira, sem se concentrar em nenhum perfil.
Aparece entre pessoas de tradições religiosas diferentes. Aparece entre os mais jovens e entre os mais velhos, sem a divisão geracional que se esperaria. Aparece em cidades diferentes e em classes diferentes. Onde a intuição de mercado imaginaria um recorte, o dado mostra uma distribuição horizontal. A fé como consumo de conteúdo é uma das poucas coisas que unem perfis que, em quase todo o resto, não se parecem em nada.
Por que o mercado não enxerga isso
Existe uma distância grande entre o quanto a fé ocupa a vida das pessoas e o quanto ela aparece nos estudos de mercado. Quase nenhum briefing de pesquisa investiga espiritualidade, a menos que o produto seja diretamente ligado a ela. E, ainda assim, ela emerge espontaneamente quando se dá espaço para a pessoa falar de si.
Isso acontece porque o mercado costuma abordar o consumidor pela porta do produto, e a fé raramente é o produto. Mas antes de ser consumidora, toda pessoa é uma pessoa inteira, feita de camadas que não cabem numa categoria de compra. Fé é uma dessas camadas, e das mais profundas. Ignorá-la é ler o consumidor pela metade do assunto.
O que isso diz sobre o nosso trabalho
Para a gente, um dado como esse não é uma curiosidade solta. É a confirmação de por que a MOB gosta de fazer o que faz. Recrutar consumidores, para nós, nunca foi só encontrar quem se encaixa num filtro. É se dispor a enxergar a pessoa além do que é tangível num primeiro olhar, além do produto que ela compra ou do serviço que ela contrata assunto.
São muitas as camadas que influenciam o comportamento de alguém, e quase todas elas estão fora do óbvio. O pesquisador e o recrutador que a gente valoriza são justamente os que têm prazer em explorar esses universos, que se conectam com as pessoas de forma autêntica e ficam à vontade em qualquer terreno humano, inclusive nos mais delicados. É essa disposição de navegar por tudo o que forma uma pessoa que transforma um recrutamento em escuta de verdade assunto.
A fé aparecer em quarto lugar é, no fundo, um lembrete simples: gente é sempre mais complexa do que o mercado supõe. E ouvir essa complexidade inteira, sem atalho, é o trabalho que a gente escolheu fazer.
Sobre o Observatório MOB
O Observatório MOB é uma leitura que a gente faz a partir das próprias amostras de recrutamento, olhando não para os resultados dos estudos, mas para o que as pessoas revelam sobre si antes de eles começarem. É a nossa forma de transformar o volume de escuta acumulado em observação sobre o consumidor brasileiro. Se você quer conversar sobre esses achados, ou recrutar participantes para um estudo qualitativo, fale com a nossa equipe.
Perguntas frequentes
Qual é o quarto assunto que o brasileiro mais consome, segundo o Observatório MOB?
Fé e espiritualidade, com 83 menções na amostra de 699 pessoas, atrás apenas de saúde, tecnologia e política. O dado se refere a temas que as pessoas declaram pesquisar e consumir como conteúdo, de forma espontânea no assunto.
Como a fé aparece como consumo, e não só como crença?
As pessoas relatam acompanhar canais, seguir líderes espirituais, assistir a vídeos e participar de comunidades ligadas à espiritualidade, tratando o tema como conteúdo consumido ativamente, ao lado de tecnologia e entretenimento, assunto.
O que é o Observatório MOB?
É uma análise que a MOB produz a partir das amostras de recrutamento dos seus projetos, observando o que as pessoas revelam sobre si mesmas antes de o estudo começar. Ele olha para a camada anterior à pesquisa: hábitos, interesses e valores do consumidor brasileiro.

